Sobre o NSEPR

O Grupo de Pesquisa Normas Sociais, Estereótipos, Preconceito e Racismo (NSEPR) foi criado em Setembro de 2004 com o objetivo de investigar fenômenos vinculados às relações de conflito, real ou simbólico, entre grupos sociais. O NSEPR vincula-se ao Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Sergipe e tem como orientador o Prof. Dr. Marcus Eugênio Oliveira Lima. Além do objetivo de estudar relações de conflito intergrupal, o NSEPR volta-se também para a formação inicial em pesquisa de alunos do curso de Psicologia.

Neste período de existência foram realizados trabalhos de pesquisa sobre as Identidades Sociais e Representações Sociais da História, Imagens sociais e sexismo nas relações de trabalho, racismo aversivo e branqueamento na seleção de candidatos a empregos, atitudes de estudantes pré-vestibulandos face às cotas de acesso a negros e pardos nas Universidades Públicas e processos automáticos de estereotipia e preconceito.

Atualmente o grupo desenvolve pesquisas sobre Homofobia e Representação Social dos Direitos Humanos.

Objetivo:

Consideramos o racismo como uma forma de infra-humanização que toma como elemento central a naturalização dos membros de grupos minoritários. Partimos do pressuposto de que existem características que diferenciam os seres humanos de outras formas de vida e que, por isto, compõem uma chamada essência humana. Seguindo este raciocínio podemos então pensar, juntamente com Guillauimin (1992), Vala, Brito e Lopes (1999) e Leyens, Paladino, Rodriguez-Torres, Vaes, Demoulin, Rodriguez-Perez e Gaunt (2000), que o racismo é uma forma de negar, em maior ou em menor grau, a determinados grupos características de humanidade. Não significa, entretanto, que o outro deixe de ser humano, mas apenas que passa a ser em menor grau.

Várias perspectivas teóricas e metodológicas têm analisado o racismo enquanto um processo de infra-humanização dos grupos minoritários. Estes trabalhos têm demonstrado que a infra-humanização pode seguir várias lógicas diferentes, operando a vários níveis. Tem-se analisado a infra-humanização dos negros ao nível da atribuição de traços de natureza e a denegação de traços de cultura (ver Moscovici e Pérez, 1999); ao nível de uma menor atribuição de sentimentos (ver Leyens et al., 2000) e ao nível de uma sub-atribuição de valores tipicamente humanos (ver Struch e Schwartz, 1989).

Não obstante a importância destes estudos, nenhum deles têm analisado a infra-humanização ao nível dos processos não controlados ou automáticos de resposta. E, mais importante, poucos têm enfatizado a importância das normas sociais na infra-humanização dos grupos minoritários.

Mais recentemente temos nos interessado também pelo estudo das diversas formas de manifestação do preconceito e pelas representações ou imagens sociais que as minorias e as maiorias têm sobre o preconceito e a discriminação. É neste sentido, que temos realizado alguns estudos sobre atitudes e opiniões em relação às cotas de acesso para estudantes não brancos em universidades públicas; e outro estudo sobre o papel do gênero e do status profissional nos estereótipos e no preconceito no trabalho.

Com base nesses interesses de pesquisa, dois questionamentos principais norteiam os trabalhos que desenvolvemos:

1) Qual a influência que determinadas normas sociais, especificamente a norma do Igualitarismo e a norma da competição e do individualismo, têm no preconceito e no racismo?

2) Como se operam as expressões de preconceito contra os vários grupos minoritários e de racismo ao nível dos processos controlados e ao nível dos processos automáticos ou inconscientes de resposta?

Para tentar responder a essas questões estamos realizando um conjunto de estudos, alguns já com resultados (e.g., Lima, 2003; Lima & Vala, 2002; Lima & Vala, 2004; Vala, Lima & Lopes, 2003; Pereira & Lima, 2003) que nos permitem reformular antigas e formular novas questões e estratégias de investigação.


Lima, M.E.O. (2003). Normas sociais e racismo: Efeitos do Igualitarismo e do Individualismo Meritocrático na infra-humanização dos Negros. Tese de Doutorado. Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa. Lisboa.

Lima, M.E.O. (2004). Sucesso social, branqueamento e racismo. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 20(1), 1- 13.

Lima, M.E.O., & Pereira, M.E. (2004). Estereótipos, preconceito e discriminação: Perspectivas teóricas e metodológicas. Salvador: EDUFBA.

Lima, M.E.O., & Vala, J. (2002). Individualismo Meritocrático, diferenciação cultural e racismo. Análise Social, XXXVII, 181-207. Lisboa.

Pereira, M.E., & Lima, M.E.O. (2003). Cor da pele e mudança cultural em Portugal e no Brasil: Um estudo comparativo. Psicologia, Educação e Cultura, Vol VII(2), 261-282.

Vala, J., Lima, M., & Lopes, D. (2002). Social values, prejudice and solidarity in the European Union. In W. Arts & L. Halman (Eds.), European values at the end of the millenium. Leiden: Brill.

Vala, J., Lopes, D., Lima, M.E.O., & Brito, R. (2002). Cultural Differences and hetero-ethnicization in Portugal: the perceptions of black and white people. Portuguese Journal of Social Sciences, 1(2), pp. 111-128.