Dia do Orgulho Gay lembra conquistas presentes e terror nazista em Hamburgo

28 Julho, 2007

27/07/2007 – 07h21

da Deutsche Welle, na Alemanha

Um prefeito homossexual, reconhecimento de casais do mesmo sexo: a metrópole hanseática tem do que se orgulhar. Porém foi também lá que começou um dos capítulos mais sórdidos da homofobia nazista.

Após Berlim e Colônia, milhares de participantes desfilam no Dia do Orgulho Gay nesta sexta-feira (27/07) na metrópole portuária de Hamburgo. Eles celebram o fato de em 2007 a cidade contar com um prefeito homossexual e de casais do mesmo sexo poderem formar uniões reconhecidas legalmente.

A rota da parada passa por uma tradicional loja de departamentos da cidade. E apenas uns poucos se lembrarão que documentos divulgados recentemente revelaram como, há 70 anos exatos, a Gestapo realizou uma batida brutal nessa mesma loja. Ao fim, a polícia nazista levou presos cerca de 40 empregados, sob a suspeita de orientação homossexual. A maior parte deles acabou em campos de concentração.

Continua…

Fontes:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dw/ult1908u315526.shtml

http://www.dw-world.de/dw/article/0,,2683285,00.html


Justiça manda indenizar recepcionista por racismo

12 Julho, 2007

08/07/2007 – 09h32

DANIEL BERGAMASCO
da Folha de S.Paulo

Que quantia em dinheiro pode compensar a humilhação de ter sido chamado de “macaco”, “burra” e “analfabeta” no ambiente de trabalho?

A Justiça paulista fez as contas: R$ 6.188, no caso da recepcionista Renata Ribeiro de Almeida, 33, que afirmou ter sofrido com esses e outros xingamentos quando trabalhava na Intercontinental Transportation Ltda., entre 2005 e 2006.

A firma foi condenada em primeira instância a pagar a indenização e as despesas do processo, mas afirma que deverá recorrer da decisão.

“Houve depoimentos contraditórios, e a empresa não teve tempo para preparar bem a sua defesa”, diz Roberto de Azevedo, advogado da transportadora, que nega as acusações.

“Duvidei muito que conseguiria ganhar a causa, mas não custava tentar. Aguentar aquilo era horrível”, diz Renata, que hoje é recepcionista de um salão dos Jardins freqüentado por atrizes como Mariana Ximenes e Denise Fraga.

Ela conta que, no dia do julgamento, as suas testemunhas (ex-funcionárias da empresa) relataram o uso de outros xingamentos por um chefe e outros colegas. “Quando eu virava as costas, aí é que a coisa piorava mesmo.” As ex-colegas repetiram expressões usadas, como “imprestável” e “aquela macaca não sabe fazer nada”.

“Processos por racismo ainda não são muitos, mas a sociedade está começando a entender que tem direito à reparação”, diz Marco Antonio Zito Alvarenga, presidente da Comissão do Negro e de Assuntos Antidiscriminatórios da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Paulo.

Um dos impasses para quem sofre preconceito e quer entrar na Justiça é a falta de provas. “No caso da Renata, as testemunhas foram muito enfáticas, o que foi fundamental”, diz Ana Bárbara Costa Teixeira, advogada da ex-recepcionista.

Além de processo por danos morais, como foi o caso de Renata, a lei brasileira prevê outra possibilidade de punição por racismo, por exemplo, quando alguém é preterido em um emprego ou é barrado em uma festa em razão da cor.

Trabalhistas

O preconceito de cor não foi o único dissabor que a recepcionista diz ter sofrido na empresa. Ela conta que levou “um susto” ao receber sua carteira de trabalho. “Me registraram como faxineira, argumentando que não tinha jeito, que não poderiam me colocar ganhando mais”, diz ela, que recebia R$ 450. “Ninguém mais ali era registrada como faxineira. Só eu, a única negra.”

A Intercontinental Transportation também foi condenada a pagar valores referentes aos direitos da recepcionista no período (cerca de um ano) em que trabalhou sem registro.

Segunda de cinco filhos de uma dona-de-casa e um funcionário do INSS, Renata trabalha desde os 15 anos. “Comecei como ajudante em uma fábrica de tênis, mas o que gosto mesmo é de lidar com público, atender as pessoas. Sou muito feliz fazendo isso que eu faço”, afirma.

Ela, que sonha em fazer faculdade de serviço social, diz que nunca antes havia sofrido agressões racistas no ambiente de trabalho. “O que acontece, de vez em quando, é a pessoa te olhar de cima a baixo numa entrevista de emprego, e aí te dizer: “Não tem vaga”. Mas não é sempre, não.”

Fonte:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u310282.shtml


Universidade Federal do Rio Grande do Sul aprova cotas para negros

1 Julho, 2007

29/06/2007 – 21h11

SIMONE IGLESIAS, em Porto Alegre
da Folha Online

A UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) aprovou nesta sexta-feira a adoção de cotas para negros e alunos egressos de escolas públicas.

A partir do próximo vestibular, 30% das vagas serão destinadas a alunos que fizeram pelo menos a metade do ensino fundamental ou todo o segundo grau em colégios públicos. Dentro dessa reserva de 30%, metade das vagas irá para alunos que se declararem negros.

O Conselho Universitário da UFRGS decidiu que o sistema vigerá por cinco anos, com avaliação anual para verificar sua eficácia. As cotas serão revistas em 2013.

Com o novo sistema, 2.948 das 4.212 vagas da universidade se destinarão aos melhores classificados, independentemente de sua condição social ou racial.

Outras 1.264 vagas serão reservadas aos cotistas –632 para egressos de escolas públicas e 632 vagas para alunos da rede pública que se auto declararem negros.

A universidade ainda não decidiu se uma comissão avaliará a cor do aluno que se declarou negro. No começo dos debates sobre a adoção do sistema, a UFRGS criou uma comissão de análise inter-racial, desfeita após protestos de alunos.

A votação foi precedida de polêmicas. No começo da semana, um muro em frente ao prédio da Faculdade de Direito foi pichado com dizeres racistas. A pichação trazia a frase “Negros só se for na cuzinha [sic] do RU [restaurante universitário]“.

Na quinta-feira (27), a estudante de pós-graduação Cláudia Thompson obteve liminar (decisão provisória) na Justiça que impedia a realização da votação, hoje, por descumprimento de prazos pelo Conselho Universitário. A reitoria da UFRGS derrubou a liminar e fez a reunião.
Um grupo a favor das cotas passou a madrugada em vigília em frente à universidade. O resultado pró-cotas foi de 47 votos a 23.

Racismo

Na segunda-feira (25), uma passarela de pedestres próxima à faculdade de direito da UFRGS apareceu pichada com dizeres racistas.

A pichação no muro traz a frase “Negros só se for na cuzinha [sic] do RU [restaurante universitário]“.

No domingo, um grupo de alunos contrário às cotas fez manifestação em uma praça de Porto Alegre. Não houve manifestações racistas na ocasião.

Fonte:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u308446.shtml