Documentário reconstrói memória dos índios guató

29 Junho, 2007

29/06/2007 – 09h48

RICARDO CALIL
do Guia da Folha

No século 19, os índios guató somavam “500 almas”, segundo recensamento realizado pelo Império. Nos anos 60 do século passado, foram dados como extintos. Hoje, são novamente cerca de cinco centenas de pessoas, espalhadas pelo pantanal mato-grossense, a maioria delas aculturada.

O documentário “500 Almas”, de Joel Pizzini, mostra o processo de reconstrução da memória e da identidade dos guatós, suas tentativas de resgatar a língua e os mitos e os hábitos da antiga tribo.

Não se deve esperar um convencional documentário sociológico de “500 Almas”. Pizzini o define como “etnopoético”, palavra que soa um tanto pomposa, mas que explica com propriedade seu trabalho. O filme traz depoimentos de índios, etnólogos, missionários e lingüistas.

Mas o cineasta se mostra menos preocupado em formatar um discurso sobre seu objeto do que em procurar rimas visuais e sonoras que traduzam o universo retratado.

O tempo do filme reproduz o ritmo manso das águas do pantanal. O único senão do projeto são as seqüências de reconstituição de um julgamento de um líder guató assassinado, encenadas por atores como Paulo José –incômoda dissonância na bela melodia de “500 Almas”.

Fonte:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u308116.shtml


Rejeitar raízes negras virou ‘instituição’ no Brasil, diz jornal

24 Junho, 2007

24/06/2007 – 11h05
BBC Brasil

De tão comum, a prática de negar as origens negras virou uma “instituição” no Brasil, observa uma matéria publicada no jornal neste domingo.

A extensa reportagem, que merece um quarto de página na capa do jornal americano, analisa a relação dos brasileiros com o conceito de raça e, em especial, com suas raízes africanas.

Em primeira pessoa, o enviado especial ao Rio de Janeiro, Leonard Pitts Jr., afroamericano, relata o que chamou de “sensação de cair em uma casa dos espelhos”, na qual tudo é “igualzinho” aos Estados Unidos, “porém completamente diferente”.

“No Brasil, uma nação de indígenas e descendentes de escravos negros, colonizadores europeus e imigrantes, um homem de pele escura que poderia ser automaticamente chamado de negro em qualquer outro lugar tem um vocabulário que lhe permite apagar sua origem africana. Ele pode se dizer moreno, mestiço ou pardo. Qualquer coisa, menos afrodescendente ou negro”, atesta o repórter.

“Nisto, ele será como seus colegas nos Estados Unidos, onde negros também têm um extenso vocabulário para descrever variações de tom de pele. Mas nos Estados Unidos, não importa qual seja o seu tom de pele, sua raça não está em questão. Malcolm X era negro. Smokey Robinson é negro. T.D. Jakes é negro. Don Cheadle é negro.” O repórter toma emprestada a expressão utilizada por uma entrevistada para afirmar: “Se os Estados Unidos são um país onde negros de pele mais clara às vezes tentam fingir que são brancos, bem, aqui neste país ‘fingir é uma instituição nacional’.” O artigo encerra uma série de reportagens especiais que o veio publicando, ao longo da semana, sobre a vida de afrodescendentes na América Latina.

O repórter notou que o Brasil vive cotidianamente discussões sobre ações afirmativas oficiais, como a criação de cotas para negros em entidades públicas, às quais se opõem muitos intelectuais, como uma antropóloga ouvida pelo jornalista.

“Respeito os princípios de seus argumentos – raça não existe e portanto não deveria ser reconhecida em lei. Mas isto levanta uma questão: como pode haver racismo sem raça?” A matéria escuta personalidades ligadas ao ativismo por direitos dos negros. Ao final, Pitts aproveita uma conversa com a jornalista Miriam Leitão para traçar paralelos com seu próprio trabalho.

“Enquanto ela relata as respostas que recebe (de seus leitores a cada artigo que trata do tema), vejo-me rindo de identificação. Um leitor, por exemplo, acusou-a de ‘criar um problema ao falar dele’.” “‘Por sua causa’, disse o leitor, ‘um dia, seremos racistas’.” “Recebi exatamente o mesmo email. Muitas vezes”, diz Pitts.

“É engraçado, só Deus sabe, mas também é enlouquecedor. Você se pergunta como pessoas inteligentes podem retorcer tanto a lógica. Como pessoas sabidas podem dizer coisas tão estúpidas.” Para o jornalista, “você começa a entender que a negação é mais forte que a lógica. América, a terra dos livres? Nem sempre, não tanto. Brasil, a terra onde raça não importa?” “Ela (Miriam) é uma colunista de jornal que escreve sobre raça em um país a 6,5 mil km de distância. Mas ela também é um reflexo do espelho deformante.”

Fonte:

http://noticias.uol.com.br/bbc/reporter/2007/06/24/ult4904u16.jhtm


Índios da Amazônia recorrem contra venda de seu DNA

21 Junho, 2007

 21/06/2007 – 10h13

da Folha Online

Os índios karitiana estão enfurecidos porque o sangue e o DNA deles estão sendo vendidos por uma empresa dos EUA a cientistas por US$ 85 a amostra, informa reportagem do “New York Times” publicada nesta quinta-feira pela Folha (só para assinantes).

Segundo a reportagem, eles dizem que os primeiros pesquisadores a obter amostras de seu sangue chegaram à região no fim dos anos 70. Em 1996, uma nova equipe os visitou, prometendo remédios caso eles doassem mais sangue, e por isso eles voltaram a permitir a coleta. Tais promessas jamais teriam sido cumpridas.

Os índios querem que as vendas sejam suspensas e exigem uma indenização por violação de integridade. A reportagem diz ainda que os surui e os ianomâmi se queixam de experiências semelhantes e dizem que também estão tentando impedir a distribuição de seu sangue e DNA pela empresa norte-americana, a Coriell Cell Repositories, de Camden, Nova Jersey.

Fonte:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u306091.shtml