[19 de abril, dia do índio] Governo dá motivos para índios comemorarem, diz presidente da Funai

19 Abril, 2007

19/04/2007 – 12h51

Veja a entrevista em vídeo

da Redação

“Os índios brasileiros têm motivos para comemorar o seu dia.” É essa a opinião de Márcio Meira, presidente recém-empossado da Funai (Fundação Nacional do Índio). Em entrevista ao UOL News, ele abordou as principais conquistas dos índios nos últimos anos e também falou sobre as dificuldades que essa população sofre. Leia a seguir os principais pontos da entrevista.

Os índios brasileiros têm motivos para comemorar?

Eu acho que sim. Os índios brasileiros sempre têm motivos para comemorar por suas lutas, pela sua história de resistência e porque, apesar de todas as dificuldades, eles têm um lugar no futuro do Brasil.

Muitas conquistas foram conseguidas pelos índios nos últimos tempos, como muitas terras indígenas que foram demarcadas. Nesse Dia do Índio também vamos dar posse à Comissão de Política Indígena e a partir daí teremos uma instância de participação política dos índios nas definição de suas políticas.

Hoje qual o principal desafio para as populações indígenas?

O grande desafio é fazer valer os direitos dos povos indígenas e para isso a Funai precisa se preparar. O primeiro ponto importante é um diálogo permanente com os povos indígenas e a Comissão Nacional vem para isso. É preciso ainda valorizar a questão do patrimônio indígena e de dar mais importância às políticas públicas para o índio. Temos vários órgãos como os ministérios da Saúde, da Educação, Meio Ambiente, Cultura que precisam agir de forma integrada para a criação de políticas indígenas.

O presidente do Cimi disse que, para o governo federal, a questão do índio é um problema. O senhor concorda com essa afirmação?

Não concordo, os índios não são um problema para o governa federal. O problema são os brancos muitas vezes. Os índios tem demonstrado muito mais maturidade do que a gente esperava. Principalmente em relação aos brancos, que demonstram muito preconceito. Antigamente falava-se que era preciso pacificar os índios. Hoje, eu diria que é preciso pacificar os brancos.

Como anda o processo de assentamento da reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, aonde as populações não-indígenas ainda não foram retiradas?

Na verdade, a maioria da população não-indígena já foi retirada. São cinco ou seis grupos de arrozeiros que estão lá e estão se retirando nesse período mais recente. A Funai já publicou um prazo para que eles recebam as indenizações. É até comum que as pessoas não-indígenas demorem para receber suas indenizações.

E a questão da desnutrição infantil dos índios em Dourados? Esse problema já foi resolvido?

O problema de Dourados é grave. O governo federal, através de uma ação integrada, conseguiu reduzir o drama da desnutrição entre a população Guarani-Caiová mas as terras indígenas são precárias, são pequenas e temos um problema muito mais complexo ali. O governo federal está instituindo um grupo de trabalho interministerial para que possamos trabalhar de maneira mais integrada para resolver essa questão da desnutrição.

Fonte:

http://noticias.uol.com.br/uolnews/brasil/2007/04/19/ult2492u492.jhtm


Desigualdade no país pára de cair em 2006

12 Abril, 2007

No ano passado, praticamente não houve mudança no grau de concentração de renda do trabalho, afirma estudo

Percentual de trabalhadores abaixo da linha de miséria também parou de cair em 2006, segundo artigos editados pelo Ipea

ANTÔNIO GOIS
DA SUCURSAL DO RIO

A redução da desigualdade, ocorrida principalmente de 2001 a 2005, dá sinais de que está perdendo o fôlego. No ano passado, praticamente não houve mudança no grau de concentração de renda do trabalho nas seis principais regiões metropolitanas. O mesmo aconteceu com a miséria: depois de um período de queda até 2005, o percentual de trabalhadores abaixo da linha de miséria parou de cair em 2006.
Essas conclusões estão em artigos editados no livro “Desigualdade de Renda no Brasil: uma Análise da Queda Recente”, que o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) lança amanhã, no Rio.
O artigo que mais analisa o comportamento da desigualdade em 2006 é do pesquisador Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais da FGV. Além dele, Ricardo Paes de Barros, Mirela de Carvalho, Samuel Franco e Rosane Mendonça -do Ipea e da UFF- também destacam que a velocidade de queda da desigualdade deve ter diminuindo substancialmente.
Para captar os movimentos em 2006, os pesquisadores usaram a PME (Pesquisa Mensal de Emprego) do IBGE. Ela tem a vantagem de ser mais atualizada do que a Pnad (pesquisa anual domiciliar do IBGE cujos resultados de 2006 só serão conhecidos no segundo semestre), mas a desvantagem de se referir apenas aos rendimentos do trabalho em seis regiões metropolitanas.
A Pnad abrange todo Brasil e todas as formas de renda, inclusive aposentadoria e Bolsa Família, entre outras.
O estudo de Neri mostra que a desigualdade de renda do trabalho medida pelo índice de Gini vinha caindo nas seis principais regiões metropolitanas (Rio, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife e São Paulo) desde 2002 até 2005, num movimento similar ao detectado pela Pnad para todo o Brasil. De 2005 para 2006, no entanto, praticamente não houve avanço na desconcentração da renda do trabalho nas regiões metropolitanas.
Em março de 2002, o índice de Gini medido pela PME estava em 0,633 (quanto mais próximo de 1, maior é a desigualdade). Em julho de 2005, chegou a 0,601. A partir daí, no entanto, praticamente não houve mais redução e, em junho de 2006, o Gini era de 0,600.
A mesma tendência foi verificada quando Neri calculou pela PME o índice de miséria entre os trabalhadores de regiões metropolitanas. Em junho de 2002, esse percentual era de 23,16%. Ele caiu anualmente até chegar a 18,52% em 2005, mas em junho de 2006 ficou estagnou em 18,57%.

Limite
Para Neri, a redução do ritmo de queda da desigualdade sugere que as políticas públicas que o Brasil usou para diminuir a concentração de renda até 2005 chegaram a um limite. Ele cita a alta do salário mínimo, a ampliação do Bolsa Família e os retornos da educação.
No caso do mínimo, como o valor em 2006 já havia chegado a R$ 350 (R$ 380 hoje), qualquer aumento terá pouco impacto na extrema pobreza, já que essa população ganha menos do que isso e trabalha no setor informal.
Em relação à educação, o pesquisador afirma que boa parte da redução da desigualdade até 2005 foi fruto “dos bons investimentos feitos” durante o governo Fernando Henrique Cardoso. “As semeaduras dos últimos anos, no entanto, não foram muito boas. Tomara que o “PAC da educação” reverta isso”, afirma.
Quanto ao Bolsa Família -cujo efeito ou não na redução da desigualdade em 2006 só poderá ser captado com precisão com a divulgação da nova Pnad-, Neri defende que a ampliação foi um mérito de Lula, mas que ele chegou a um limite quando atingiu a meta de 11 milhões de famílias.

Fonte:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi1204200732.htm


Racismo contra latinos nos EUA invade vídeos da internet

10 Abril, 2007

07/04/200711h42
DAVID VALENZUELA
da Efe, em Nova York

As demonstrações de racismo contra os imigrantes latinos nos Estados Unidos alcançaram as principais páginas de vídeos da internet, com centenas de gravações que denunciam a “invasão ilegal” do país.

O anonimato oferecido pela rede e, especialmente, a facilidade com que se pode colocar um vídeo em sites muito visitados transformaram-se em uma arma de propaganda nas mãos dos grupos contrários à imigração.

Centenas de vídeos que denunciam “a reconquista de antigos territórios iniciada pelos mexicanos em solo americano” podem ser encontrados facilmente em sites tão populares como o YouTube.

Os latinos concentram a ira de alguns americanos, que vêem na imigração ilegal a causa de todos os males que o país sofre, e que, como mostra a maioria dos vídeos, exigem uma ação governamental mais efetiva na fronteira com o México, para evitar que os imigrantes ilegais realizem “uma invasão”.

Grande parte do material mostra autênticos monólogos de indivíduos anônimos que afirmam que, “se os imigrantes não fossem contratados, os salários dos americanos subiriam”, como é o caso do vídeo de Jezuzfree, cuja obra foi visitada quase 1.800 vezes.

Jezuzfree, que se classifica como “um patriota e um verdadeiro americano”, também acusa os países dos quais procedem os imigrantes de “não acabar com a corrupção e não alimentar nem dar um lar aos refugiados que enviam [aos EUA]“.

Outros vídeos mostram as ações das forças policiais na fronteira sul do país –onde asseguram que existe uma “guerra de fronteira”–, além de imagens das manifestações de trabalhadores latinos, que proliferaram em 2006 na maioria das cidades americanas, e outras imagens de protestos de grupos contra a imigração.

Guerra

Há gravações, como a colocada por um internauta sob o pseudônimo de Mikehuntusa2, que mostra o problema da imigração como uma guerra entre o México e os EUA.

No vídeo de Mikehuntusa2 –que diz que não é racista, mas que não suporta que os imigrantes “se aproveitem dos EUA” –aparecem mapas do território americano, nos quais se lê “não é seu”, e outros do território mexicano com a frase “isso sim é seu”.

“Lembram-se do Tratado de Guadalupe Hidalgo?”, continua o vídeo, que fala das ânsias do México por recuperar seus antigos territórios, agora dentro das fronteiras americanas. O vídeo acusa, ainda, “os liberais e as anistias dos anos 80″ de serem os responsáveis pela atual situação.

Invasão “comunista”

Há vários vídeos que inclusive chegam a falar de uma “invasão comunista dos EUA a partir do México” e de uma ‘guerra dos imigrantes contra o país’. As peças exortam os cidadãos a agir, como no caso dos vídeos de Sov777, de Tucson, no Estado do Arizona.

“Estão aqui e acham que essa terra é sua. Se não nos levantarmos pelo que nos pertence, pelo que nossos antepassados pagaram com sangue, isso nos será tirado”, assegura Sov777, que fala dos que se mostram contra os imigrantes como “heróis nacionais”.

Al Qaeda

Um vídeo ainda mais surpreendente é o que vincula grupos de defesa dos direitos dos imigrantes à organização terrorista Al Qaeda.

Na gravação denominada “The Aztec Al Qaeda” (A Al Qaeda asteca), da organização The Watchdog, vista mais de 13 mil vezes, a Al Qaeda é relacionada com o Movimiento Estudiantil Chicano de Aztlán (Mecha), com base em Denver, no Colorado.

A The Watchdog denuncia que o Mecha, criado em 1969 para lutar pelas reivindicações das organizações estudantis chicanas (pessoas que vivem nos EUA e fazem parte da minoria mexicana no país), “odeia os EUA e todo americano”, e que o atual prefeito de Los Angeles, Antonio Villaraigosa, um mexicano, pertenceu à “organização antiamericana e de caráter separatista”.

A proliferação desses vídeos coincide com um ressurgimento de grupos racistas como o Ku Klux Klan, que, segundo um relatório da Liga Antidifamação, retomou suas atividades com força e centrando seus ataques na comunidade latina, que já soma mais de 40 milhões de pessoas nos EUA.

Fonte:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u106232.shtml