Gays ganham ala especial em presídio de Minas

25 Maio, 2009

19/05/2009 – 07h43

PAULO PEIXOTO
da Agência Folha, em Belo Horizonte

Os presos homossexuais da região metropolitana de Belo Horizonte (MG) ganharam uma ala especial em um presídio recém-inaugurado em São Joaquim de Bicas.

A ala especial dos homossexuais, aberta há um mês, permite que os travestis e transexuais mantenham, por exemplo, os cabelos compridos, o que não podem fazer em presídios masculinos.

Funcionando ainda em caráter experimental, a ala tem hoje 37 presos nas dez celas (cada uma para até quatro presos).

Além da valorização da autoestima, a medida tem como objetivo combater a violência a presos homossexuais e também preservar a saúde deles.

A criação da ala foi feita a pedido do Centro de Referência de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros, da Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado, que é dirigido pela transexual Walkiria La Roche.

Segundo a Secretaria da Defesa Social, a criação da ala não significa que haja privilégio aos presos homossexuais. A ideia, segundo a pasta, é retirá-los da situação de risco e de violência.

“A violência existe, sim, mas a saúde vem em primeiro lugar. E não é a saúde só deles [dos homossexuais]. É de todos os presos que estão ali”, diz La Roche. Segundo ela, é a primeira experiência do gênero no país.

La Roche afirma que os presos comuns com direito a visita íntima recebem preservativo para o ato sexual, mas, quando cometem violência sexual na cadeia, não se preocupam com isso. Por serem discriminados, os homossexuais são as principais vítimas dos presos.

Segundo ela, ainda será decidido se os presos homossexuais terão direito a visitas íntimas.
Por três meses, La Roche fez reuniões com presos homossexuais e ouviu deles os principais problemas nos presídios.

A adesão à ala é espontânea. Caberá ao preso homossexual procurar o governo e dizer que deseja ir para lá. Mas, como se trata de um projeto experimental, não há definição sobre a ampliação de vagas.

Vice-presidente do Cellos-MG (Centro de Luta pela Livre Orientação Social) e coordenador de um espaço público destinado a um movimento de lésbicas, gays e travestis de BH, Luís Schalcher elogia o projeto.

“É positivo, inclusive quando falamos de travestis e transexuais, que têm os direitos humanos mais vilipendiados.”

Minc

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, criticou ontem, no Rio, posições da Igreja Católica em relação à homossexualidade. Militante do movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), ele criticou a oposição ao projeto de lei que criminaliza a homofobia e à distribuição de camisinhas. A CNBB não respondeu às declarações. Minc participou do ato de instalação do Conselho Estadual dos Direitos da População LGBT.

Fonte:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u568031.shtml


Homossexualidade é pecado para 58%, aponta pesquisa

18 Fevereiro, 2009

08/02/200909h49

da Folha Online

Uma pesquisa sobre sexualidade e homofobia –aversão a homossexuais– mostrou que 58% dos brasileiros consideram a homossexualidade um pecado contra as leis de Deus, conforme mostra reportagem de Márcio Pinho, publicada hoje na Folha (a íntegra está disponível apenas para assinantes do jornal e do UOL).

De acordo com o levantamento, 28% dos brasileiros admitem ter preconceito contra homossexuais e 29% apontam o homossexualismo como uma doença a ser tratada. A pesquisa foi conduzida pela Fundação Perseu Abramo e pela fundação alemã Rosa Luxemburgo Stiftung, que entrevistaram 2.014 adultos nas cinco regiões do país, escancarando o preconceito direto ou velado contra os homossexuais.

Um projeto que pretende mudar esse quadro –transformando a homofobia em crime– tramita no Senado, após ter sido aprovado na Câmara.

Para Gustavo Venturi, um dos coordenadores do estudo e professor de sociologia da USP (Universidade de São Paulo), a cultura “machista no Brasil” favorece este tipo de pensamento. “Há a contribuição das religiões na nossa população de maioria católica e evangélica. Muitas igrejas continuam fechadas para comportamentos que fogem da ‘heteronormatividade’.”

Fonte:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u500644.shtml


Estudo diz que brancos são mais racistas do que pensam

9 Janeiro, 2009

Qui, 08 Jan, 09h20

Por Julie Steenhuysen

CHICAGO (Reuters) – A maioria dos brancos diz que reagiria enfaticamente ao racismo, mas se omite quando vê casos reais de preconceito, segundo estudo divulgado na quinta-feira por pesquisadores dos EUA e Canadá.

“As pessoas não se consideram preconceituosas, e prevêem que ficariam muito aborrecidas com um ato racista e que agiriam”, disse Kerry Kawakami, professor da Universidade York, de Toronto (Canadá), cujo estudo foi publicado na revista Science.

“Entretanto, descobrimos que suas reações são muito mais silenciosas do que eles esperavam quando realmente são postos diante de um comentário abertamente racista”, disse Kawakami em nota.

Os pesquisadores avaliaram o comportamento de 120 estudantes brancos do Canadá que foram expostos a uma situação racista quando pensavam estar esperando que a experiência começasse.

Um falso participante negro saía da sala por alguns instantes, e outro falso participante, este branco, fazia um comentário racista. O teor do comentário variava de moderado e extremamente ofensivo. Quando o aluno negro voltava, os verdadeiros participantes eram convidados a escolher parceiros para um exercício subsequente.

De acordo com os pesquisadores, 63 por cento dos alunos escolhiam a pessoa que fizera os comentários racistas.

“Ficamos todos surpresos com a discrepância entre o que as pessoas pensavam que fariam e o que realmente fariam quanto postas nessa situação”, disse por telefone John Dovidio, da Universidade Yale (Connecticut, EUA), que também colaborou no estudo.

“Elas não rejeitavam a pessoa que fez um óbvio comentário racista, e na verdade demonstravam uma ligeira tendência a querer trabalhar com essa pessoa”, disse ele.

Quem passou pela situação ficou muito menos perturbado do que pessoas que leram a respeito ou viram um vídeo. Estas se declaravam muito menos propensas a trabalhar com o racista.

“Parte disso pode se dever à situação. Não temos muito prática sobre como responder”, disse Dovidio.

Ironicamente, disse ele, muitos outros estudos concluíram que pessoas confrontadas depois de fazerem declarações racistas se tornam muito menos propensas a repeti-las.

“Ao não fazer nada você na verdade está contribuindo com uma sociedade que será racista no futuro”, disse ele.

Fonte:

http://br.noticias.yahoo.com/s/reuters/090108/mundo/mundo_ciencia_racismo_estudo