Bardot recebe sua quinta condenação por racismo

4 Junho, 2008

Ter, 03 Jun, 11h21

PARIS (Reuters) - Um tribunal de Paris multou a ex-estrela de cinema Brigitte Bardot em 15 mil euros na terça-feira por incitar o ódio racial ao insultar muçulmanos. É sua quinta condenação em 11 anos por acusações semelhantes.

Bardot, que hoje é militante pelos direitos dos animais, vem repetidamente fazendo críticas à festa de Eid al-Adha, durante a qual os muçulmanos fazem o sacrifício de uma ovelha. Mas ela também já criticou outras tradições muçulmanas e a imigração de países islâmicos.

Sua condenação mais recente se deve a um folheto publicado em 2006 sobre a questão do Eid al-Adha, no qual ela descreveu a comunidade muçulmana na França como “esta população que está nos destruindo, que está destruindo nosso país por nos impor seus atos”.

A promotoria tinha recomendado que Bardot fosse condenada a dois meses de prisão além da multa, mas a corte não acatou a recomendação. Bardot, que tem 73 anos e diz que não tem condições físicas de viajar, não estava presente quando foi anunciada a decisão do tribunal.

Além da multa, Bardot terá que pagar indenização simbólica por danos a várias organizações que combatem o racismo. O tribunal também decidiu que o veredito contra ela terá que ser publicado no boletim de sua fundação de defesa dos direitos dos animais.

O advogado de Brigitte Bardot, François-Xavier Kelidjian, disse que é pouco provável que a ex-atriz apele contra a sentença, porque já está cansada de julgamentos.

“Ela acha que estão tentando silenciá-la, mas ela não se deixará silenciar em sua defesa da causa dos animais”, disse ela.

Bardot já foi multada quatro vezes desde 1997 por incitar o ódio racial. Os valores das multas foram aumentando gradativamente de 1.500 para 5.000 euros.

Símbolo sexual dos anos 1950 e 1960, a atriz loira protagonizou filmes influentes como “E Deus Criou a Mulher” (1956), de Roger Vadim, e “Desprezo” (1963), de Jean-Luc Godard.

Quando jovens, os Beatles se disseram seus fãs, e o compositor francês Serge Gainsbourg, que foi seu namorado, fez uma canção sobre Bardot que virou grande sucesso.

Desde que se afastou das telas, porém, Brigitte Bardot tornou-se uma figura cada vez mais controversa, cuja campanha em prol dos direitos dos animais vem perdendo espaço para seus ataques verbais contra gays, imigrantes e desempregados.

Fonte: http://br.noticias.yahoo.com/s/reuters/080603/entretenimento/cultura_gente_bardot_condenada_pol


Brasil mantém título de campeão mundial de homicídios de homossexuais

20 Maio, 2008

Marcelo e Valquíria: ‘Educação é o caminho para resolver problema’

Eles eram professores, vendedores, estudantes, cozinheiros ou cabeleireiros do sexo masculino. Pelo menos 88 pessoas com esse perfil comum foram mortas no Brasil dentro de casa ou na rua em 2007 apenas por serem gays e assumir publicamente sua sexualidade. Outras 34 pessoas foram assassinadas no mesmo período por serem travestis. O número total de 122 homicídios de homossexuais registrados em um ano representa um aumento de 30% com relação aos registros de 2006 e dão ao Brasil o triste título de campeão mundial em crimes desse tipo, muito distante do México, que aparece em segundo lugar com 35 mortes, e dos Estados Unidos, terceiro, com 25. A Bahia, com 18 casos, é estado com maior incidência desse tipo de crime. A região Nordeste concentra 2 entre cada 3 homícidos cometidos contra homossexuais no Brasil. Em 2007, foram 81 assassinatos. Somente nos quatro primeiros meses de 2008, já foram registrados 43 casos no Brasil, sendo 4 deles na Bahia. Os números foram apresentados na tarde desta quinta-feira, 15 de maio, por Marcelo Cerqueira, presidente do Grupo Gay da Bahia (GGB), em entrevista coletiva durante as comemorações pelo Dia Internacional Contra a Homofobia, que ocorre no próximo sábado, 17 de maio. Além da coletiva, o dia foi marcado por uma sessão especial na Câmara Municipal de Salvador e uma manifestação na Praça Thomé de Souza.Para o militante, a principal motivação dos assassinos seria a estranheza que ainda causa na sociedade a atração por pessoas do mesmo sexo. ‘Os meninos ainda são criados, desde o berço, para sempre demonstrarem virilidade, enquanto meninas para ser sempre doces e meigas’, afirma. Apesar de alarmantes, acredita-se, no entanto, que o número real de crimes possa ser muito maior, pois os dados estão baseados somente em pesquisas em jornais e internet feitas pelos coletivos GLBTs nos estados, já que não há estatísticas oficiais sobre o assunto. Além disso, não estão computados os assassinatos ocorridos no Rio Grande do sul, Amapá, Rondônia e Roraima, estados onde não é feito esse tipo de levantamento. Cerqueira explica que trabalhar contra esse tipo de ocorrência é uma das principais atribuições do GGB. No entanto, ele destaca que o grupo se preocupa também com outra forma de homofobia, que é aquela exercida pelo próprio indivíduo homossexual. “O primeiro caso é o da homofobia externa, sofrida na rua, no trabalho, no dia-a-dia. O segundo é aquela em que a pessoa se reconhece como gay, mas não se aceita, o que traz graves conflitos internos”, explica. Para a presidente do Grupo Palavra de Mulher Lésbica, Valquíria Costa, mesmo representando apenas 3% do total de vítimas de homicídio registradas no ano passado, as mulheres também sofrem com o preconceito homófobo. “A sociedade só aceita ver duas mulheres de mãos dadas se forem amigas. Isso causa uma total negação da sexualidade da lésbica”, diz. Ela critica ainda a visão de que um casal lésbico faz parte do imaginário erótico masculino, o que é igualmente nocivo para elas.SOLUÇÕES – Tanto Valquíria quanto Cerqueira acreditam que a educação e o investimento em conscientizaçã o são as únicas vias possíveis para a redução da homofobia e do número de crimes registrados no Brasil. “E para isso precisamos de investimento dos governos. O trabalho voluntário é muito importante, mas sozinho não sustenta a nossa luta”, sentencia Cerqueira. Quanto aos cuidados individuais que devem ser tomados pelos próprios gays e lésbicas, Marcelo e Valquíria alertam que não devem levar pessoas desconhecidas para casa. Segundo eles, é comum homens se arrependerem de passar a noite com alguém do mesmo sexo e reagirem de forma violenta. “Isso sem contar os casos em que alguém se aproveita do convite para roubar e matar o parceiro”, avisam. SERVIÇ O – O Grupo Gay da Bahia e o Grupo Palavra de Mulher Lésbica prestam atendimento àqueles homossexuais e travestis que se sentirem discriminados em Salvador.

Fonte: Guilherme Lopes, do A Tarde On Line.


[13/05, 120 anos da Lei Áurea] Negro ainda vive em região de porto, diz IBGE

13 Maio, 2008

13/05/2008 - 08h21

da Folha Online

Reportagem de Eduardo Scolese e Angela Pinho, da Folha de S.Paulo, publicada na edição desta terça-feira (íntegra disponível para assinantes do jornal ou do UOL) revela que a distribuição da população negra no Brasil reflete ainda hoje a ocupação do país durante o período da escravidão. Os dados são de um estudo feito pelo IBGE a pedido da Secretaria Especial da Igualdade Racial da Presidência da República.

De acordo com a reportagem, “a partir dos dados do Censo de 2000, os pesquisadores apontaram uma coincidência entre a alta concentração de população negra [pretos e pardos autodeclarados ao IBGE] e os portos que atuaram como receptores de escravos: São Luís [MA], Salvador [BA], Recife [PE] e Rio de Janeiro [RJ]“.

O trabalho do IBGE “aponta ainda a permanência dos negros em regiões para as quais eles se deslocaram de acordo com o desenvolvimento da economia durante a escravidão, como o litoral nordestino e o interior do Maranhão e do Piauí”.

Hoje, em cerimônia no Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberá o mapa das mãos do ministro. Sob Lula, será a primeira vez que o 13 de Maio será tema de solenidade oficial. Há, no movimento negro, correntes que não vêem motivos para comemorar essa data, pelo fato de, segundo eles, a Lei Áurea, assinada 120 anos atrás pela princesa Isabel, não ter abolido de fato a escravidão no Brasil.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u401235.shtml